Posts Tagged ‘Poesia’

Faz-me o favor…

Julho 24, 2008

Faz-me o favor de não dizer absolutamente nada!
Supor o que dirá
Tua boca velada
É ouvir-te já.
É ouvir-te melhor
Do que o dirias.
O que és nao vem à flor
Das caras e dos dias.
Tu és melhor — muito melhor!
Do que tu. Não digas nada. Sê
Alma do corpo nu
Que do espelho se vê.
Mário Cesariny

Sei que não vou por aí!

Julho 17, 2008

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o [...]

Adeus

Julho 13, 2008

“Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente [...]

Se me queres conhecer

Julho 10, 2008

“Se me queres conhecer…
rompe as barreiras da indiferença,
destrói as vestes da altivez
e encontra-me.
Se me queres conhecer…
rasga-me, retalha-me,
procura mil chagas no meu corpo
e encontra-me.
Se me queres conhecer…
embriaga-me do teu carinho
ama-me com fúria
e encontra-me.
Remexe artérias e veias
e encontra a razão da minha existência.
Se me desejas conhecer…
deixa que eu te toque
com mil pétalas de bem te quero.
Se me [...]

Cansaço

Julho 10, 2008

“O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem [...]